MAL SILENCIOSO: Palestra alerta para a prevenção do câncer ginecológico


Câmara Municipal de Jaboticabal recebe palestra sobre a prevenção do câncer ginecológico.

Para servir de alerta e estimular as mulheres na prevenção do câncer ginecológico, a Câmara Municipal de Jaboticabal foi palco da abertura da 9ª Semana de Prevenção do Câncer Ginecológico, de 25 a 29 de setembro. A palestra “A evolução do câncer: do diagnóstico à cura”, ministrada pelo cancerologista e mastologista Cleber Henrique Ferreira da Silva, abriu a rodada de palestras na noite de segunda-feira (25/09). A exposição também aconteceu no CRAS I (Grajaú), CRAS II (CDHU), Córrego Rico e Lusitânia, ministradas pelo ginecologista Dr. Edu Fenerich.

Em todas as oportunidades, os palestrantes falaram sobre as possíveis causas para o surgimento do câncer, os sinais que podem indicar a doença, os fatores de risco e os tratamentos oncológicos dispostos no país. Os médicos abordaram, sobretudo, a incidência e a prevalência dos principais cânceres ginecológico na mulher, com ênfase para o câncer de mama e de colo de útero, considerado os dois que mais acometem as mulheres no Brasil.


Cancerologista Cleber Henrique Ferreira da Silva fala sobre o câncer de mama.

De acordo com o Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA), serão mais de 57 mil novos casos de câncer de mama para 2016/2017, e mais de 16 mil de câncer do colo do útero. Diante do aumento nos números da doença, as ações de prevenção e controle do câncer devem ser incorporadas no dia a dia da gestão da saúde.

Silva explicou que o câncer de mama é o tumor maligno que se desenvolve nas células dos seios. Ele é mais recorrente entre as mulheres, porém, pode ocorrer nos homens. Segundo o cancerologista, entre as prováveis causas estão o sedentarismo, o tabagismo, dieta rica em carboidratos e pobres em fibras, maior expectativa de vida e baixo nível de conhecimento.

Os sinais e sintomas do câncer são diversos, mas conhecer os primeiros sinais é uma medida preventiva. No câncer de mama, por exemplo, é importante comunicar ao médico qualquer sensibilidade da mama, palpação de caroço/nódulo (geralmente indolor), saída de líquido do bico do seio de forma anormal, alteração na pele (avermelhada, retraída ou parecida com casca de laranja), alteração no bico do seio, pequenos nódulos nas axilas ou no pescoço. “Os sintomas devem ser sempre investigados pelo profissional, até porque os sintomas também podem estar relacionados a doenças benignas da mama”, explicou Silva. No de colo de útero, o desenvolvimento da doença é lento, e o HPV e múltiplos parceiros sexuais aumentam a chance de desenvolver o câncer de colo de útero.


Dr. Edu Fenerich apresenta a palestra no CRAS I - Grajaú.

“Infelizmente não podemos impedir definitivamente que o câncer se instale em algum organismo, ou seja, que as pessoas venham a ter câncer, mas podemos, em alguns casos evitar que ele apareça, dependendo do tipo de câncer, e em outros, detectar muito precocemente de tal sorte que a chance de cura e de sobrevida, com qualidade de vida, seja muito maior”, afirma Fenerich.

Para saber mais sobre os sinais, como se prevenir e os tratamentos, assista a íntegra da palestra disponível na WEBTV da Câmara.

SENTINDO NA PELE

Estela Dias dos Santos Ferraz sentiu na carne as dores do tratamento contra o câncer. Ela descobriu um câncer de mama aos 42 anos. Como de costume, ela fazia o autoexame na mama e percebeu um caroço que chamou sua atenção. “Passei por alguns médicos que falaram que não era nada, mas eu achava estranho. Procurei outros médicos, fiz a mamografia, ultrassom, e então exigi que fizessem uma biópsia, quando foi constatada a doença. Eu já estava com quatro nódulos”, conta Estela, que enfrentou durante um ano as dificuldades do tratamento, por vezes doloroso. “No momento [do diagnóstico] você acha que está assinando seu atestado de óbito. Mas não é assim. Eu descobri logo no começo. Foi uma aprendizagem na vida. Aprendi a me amar, a dar valor na vida. O câncer de mama não dói, mas o tratamento é bem doloroso. Fiz quimioterapia, radioterapia. Fiz a retirada da mama, perdi meus cabelos. Na época tinha uma criança pequena e tive que levar no psicólogo porque todo momento ela achava que eu ia morrer”, relembra Estela.


Estela teve câncer de mama aos 42 anos: "... eu tenho muito amor por mim. Eu me amo".

Hoje ela dá conselhos, fala da importância da prevenção e da participação em palestras e eventos sobre o tema. “Cada dia que eu participo [de palestras] eu aprendo mais coisas. Aprendi hoje que, a gente que já teve [câncer], pode ter novamente. Eu não sabia, eu achei que estava curada pra sempre. Mas eu tenho muito amor por mim. Eu me amo. Hoje, graças a Deus, não tenho mais nada. Já faz 10 anos”, conta sorridente Estela, que não descuida da saúde: “Faço acompanhamento em Barretos todo ano”.

A estudante de enfermagem da Faculdade São Luís, Matilde Aparecida Duarte dos Santos, também acompanhou atenta a palestra: “É necessário aprender a trabalhar com a prevenção. Eu que já tive caso de câncer de mama na família, sei como é doloroso para quem enfrenta a doença e para quem acompanha. Palestras assim são muito enriquecedoras, tanto para o meu currículo profissional quanto para a minha vida pessoal”.

“MELHOR PREVENIR DO QUE REMEDIAR”
Apesar do avanço da tecnologia e da medicina, a prevenção continua sendo o melhor tratamento. Quanto antes a doença for detectada, maiores são as chances de cura, por isso a importância dos preventivos. “Toda mulher após 40 anos de idade deve passar pelo menos uma vez por ano no seu ginecologista e se possível fazer uma mamografia. Toda mulher após entrar na vida sexual ativa, deve fazer o papanicolau anualmente, para prevenir o câncer de colo de útero”, alerta Silva.

IDEALIZAÇÃO
A Semana de Prevenção ao Câncer Ginecológico foi instituída pela Lei Municipal nº 2.931/2001, de autoria do vereador Dr. Edu Fenerich, integra o calendário oficial do Município e é desenvolvida pela Prefeitura de Jaboticabal, por meio da Secretaria de Saúde. O objetivo é intensificar os trabalhos de atenção primária para a prevenção e detecção precoce da doença, com a realização de palestras e/ou jornadas de estudos para atualização dos profissionais que atuam na área.


CRAS II lotado na exposição sobre a importância da prevenção do câncer ginecológico.

De acordo com Fenerich, a ideia “surgiu de uma verificação, no CIAF, de que algumas mulheres estavam deixando de retornar à prevenção do câncer ginecológico e outras simplesmente não estavam se submetendo à prevenção do câncer. Então imaginei, lá em 2001, quando apresentei o projeto, que se você estimulasse essas mulheres com palestras, com atividades relativas a essa prevenção, aquelas que não estavam retornando, voltariam a retornar, e as que nunca fizeram, passariam a fazer. Para nossa felicidade isso aconteceu”, contou o médico, que atua há cerca de 35 anos no CIAF de Jaboticabal.


O auto-exame das mamas pode ser feito de pé frente ao espelho, deitada com a mão atrás da nuca ou no banho com a mão atrás da nuca. Ilustração: www.google.com.br/images

VOCÊ SABIA?
> Estudo divulgado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 2012 reconhece que há 20 subtipos diferentes do câncer de mama;
> A OMS aponta que em 2030 serão 27 milhões de novos casos de câncer, ao ano, no mundo;
> Depois do câncer de pele, o de mama é o tipo que possui a maior incidência e a maior mortalidade na população feminina em todo o mundo;
> A prevenção primária tem como medida uma alimentação saudável, prática de atividade física regular e manutenção do peso ideal, podendo evitar cerca de 30% dos casos de câncer de mama;
> O autoexame da mama é recomendado 8 dias depois da menstruação. Se a mulher não menstrua mais, escolha um dia no mês. Os sinais e sintomas a serem comunicados ao médico são: dor, palpação de caroço/nódulos, saída de líquido do bico do seio, alteração na pele;
> No câncer de mama, a mamografia deve ser feita anualmente após os 40 anos, com consulta anual com mastologista;
> HPV e múltiplos parceiros sexuais aumentam a chance de desenvolver câncer de colo de útero. Por isso, o preventivo do Papanicolau é importante.
> Nos homens, o câncer de mama é raríssimo, por outro lado, o de próstata deve ultrapassar 61 mil novos casos para 2016/2017, e segue como um dos mais prevalentes no sexo masculino, à frente do câncer de pulmão, cólon e reto, e estômago.


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Ana Paula Junqueira
Assessoria de Comunicação
(16) 3209-9478