Samuel Moreira defende voto distrital e fala sobre as reformas da Previdência, Trabalhista e Política


Secretário-chefe da Casa Civil do Estado de São Paulo, Samuel Moreira, durante encontro na Câmara de Jaboticabal.

O Plenário Dorival Borsari, da Câmara Municipal de Jaboticabal, ficou lotado na noite de sexta-feira (28/04) para o encontro com o secretário-chefe da Casa Civil do Estado de São Paulo, e deputado federal licenciado, Samuel Moreira (PSDB). Autoridades e lideranças de mais de 12 municípios acompanharam o bate-papo, organizado pelo vereador Samuel Cunha (PSDB).

Representando o Legislativo jaboticabalense, Cunha saudou as autoridades, recordando dos recursos liberados para o município através de Moreira, como os R$ 150 mil na Legislatura anterior, e recentemente os R$ 200 mil, destinados à saúde de Jaboticabal.  “[Moreira] É um dos responsáveis pela vinda da 4ª vara civil e criminal de Jaboticabal. O secretário também está, juntamente com o prefeito Hori, e alguns colegas: Beto Ariki, Luis Carlos, e eu, viabilizando um polo da ETEC aqui em Jaboticabal. Hoje temos uma extensão de Bebedouro”, destacou Samuel Cunha, que considera a vinda do polo essencial para a cidade.


Vereador Samuel Cunha abre o encontro com o secretário Samuel Moreira.

O prefeito Hori, por sua vez, ressaltou a necessidade de atenção aos municípios. “O que nós queremos nessa visita é socorro. O socorro nem sempre é dinheiro. Sei que os senhores como deputados sabem da nossa realidade. Ela é difícil, ela é crítica. A gente só quer sentir que nós não estamos esquecidos. Acho que essa é a sensação dos prefeitos”, declarou Hori.

Ao longo do encontro, Moreira falou sobre temas espinhosos e impopulares, como as reformas da previdência, a trabalhista e a política, bem como da queda nas arrecadações. Segundo o secretário, a crise instalada no Brasil e potencializada nos últimos anos foi consequência da administração.


Público acompanha pronunciamento do secretário e deputado federal licenciado, Samuel Moreira.

“O Governo Federal gastava mais do que arrecadava, promovendo um desequilíbrio muito forte nas contas. Isso faz com que todo o processo que estava em andamento, fosse recuando. O Brasil, em 2014, gastou R$ 35 bilhões a mais, em 2015, foram R$ 120 bilhões. Ano passado, gastou R$ 138 bilhões a mais, e agora está pedindo mais R$ 150 bilhões para gastar mais do que arrecada. Quando houve esse desequilíbrio, ao mesmo tempo a economia foi caindo. Em 2010 nós tivemos um crescimento de 7,5%. Havia construções, atividade econômica. De repente, fomos perdendo economia. Nos últimos dois anos, caímos 3,5%. Tudo é consequência de administração, de gestão”, afirma Moreira.


Moreira defende voto distrital.

Arrumar a casa em tempos de crise não é uma tarefa fácil. “A atividade econômica não anda. As pessoas não gastam. Para resolver isso, precisa ter muita determinação e liderança. Precisa ter proposta, convicção, convencimento. Dá um trabalho enorme. Não há unanimidade. Tem que refletir, tem que explicar, tem que convencer a maioria. E aí ao mesmo tempo você encontra um Congresso com 30 partidos, 35 partidos com aqueles que estão fora do Congresso, uma confusão política difícil de você conduzir. E como a situação está tão difícil para o país, você começa a perceber que algumas coisas precisam ser reformadas, melhoradas”, explicou.

Discutida recentemente no Congresso, a reforma política também foi alvo de Moreira. Ele acredita que o atual sistema afasta a população de seus representantes. Para o secretário, a favor do voto distrital, a falta de clausula de barreira infla o estado com partidos políticos. “Nós temos 35 partidos no Brasil e todos recebem fundo partidário. O que recebe menos, recebe R$ 400 mil por mês. Quem recebe mais, dá 90 milhões por ano. São 900 milhões distribuídos em fundo partidário, que é dinheiro público. Precisa reformar isso. Hoje um candidato a deputado faz campanha no estado inteiro, por isso que as campanhas foram tão caras, ao ponto de gerar os escândalos que geraram, porque virou uma promiscuidade. O eleitor fica longe do representante, do partido. Aí não funciona. Se é um distrito, você sabe quem é o seu deputado e acompanha o trabalho só dele. O [voto] distrital funciona melhor para o eleitor do que o de hoje”, defende Moreira.


Deputado estadual Marcos Vinholi fala da importância da parceria entre as esferas do Governo.

O deputado estadual Marcos Vinholi enalteceu o trabalho desempenhado por Moreira à frente da Casa Civil desde abril de 2016. “O momento é de esperança, reformas importantes acontecendo no país. É fundamental a parceria com o Governo do Estado de São Paulo e com o Governo Federal para podermos ter os próximos três anos melhores do que foram os passados”.

Compuseram a Mesa o vereador anfitrião Samuel Cunha, o prefeito de Jaboticabal, José Carlos Hori, o secretário da Casa Civil, Samuel Moreira, e o deputado estadual Marcos Vinholi. Os vereadores Ednei Valêncio, Dona Cidinha, Pretto Miranda Cabeleireiro, Beto Ariki e Pepa Servidone também marcaram presença.

DEMANDAS – Na oportunidade, lideranças também aproveitaram para expor dificuldades recorrentes em seus municípios que reforçam a necessidade de apoio do Governo do Estado. O prefeito de Guariba, Francisco Mançano, chamou a atenção para a judicialização na área da saúde, com destaque para a dificuldade de compra dos medicamentos de alto custo pelos municípios. “Não conseguimos mais fornecer [remédio de alto custo]. Somos cidades pequenas, tira nossa capacitação de investimento. O Estado tem cumprido sua parte, a União está investindo muito pouco”, diz Mançano.


Prefeito de Guariba, Francisco Mançano, fala das dificuldades na área da saúde com a judicialização.

Em contrapartida, Moreira lembrou a divisão dos recursos provenientes dos impostos. Segundo ele, “de tudo o que se arrecada de impostos pagos, 62% fica com a União. Na média, 25% [vai] para os Estados e só 13% para os municípios. É altamente centralizado na União”. Para o secretário, “o dinheiro tem que ficar mais perto das pessoas onde se está prestando o serviço. Na área de saúde o Governo Federal no Estado de São Paulo quase não tem leito. Quem presta o serviço de saúde ou é o município ou o Governo do Estado nos hospitais, o Governo Federal não presta serviço, mas fica com o dinheiro”. Quanto à judicialização, o secretário acredita que “é preciso ter um critério. Nós montamos um comitê com o Tribunal de Justiça e o Ministério Público há quatro meses para a criação de um procedimento”, disse Moreira.

Confira abaixo a íntegra do evento, disponível na WEBTV da Câmara. A galeria de fotos está disponível no Facebook da Câmara.


Ana Paula Junqueira
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